Por que as varizes aparecem durante a gravidez
A gravidez provoca mudanças profundas no organismo feminino — e o sistema venoso é um dos mais afetados. Durante a gestação, o volume sanguíneo circulante aumenta em até 50%, sobrecarregando todo o sistema de drenagem venosa. Ao mesmo tempo, os hormônios gestacionais — especialmente a progesterona — relaxam as paredes dos vasos sanguíneos, reduzindo sua tonicidade e tornando-os mais propensos à dilatação.
À medida que o bebê cresce, o útero aumentado exerce pressão diretamente sobre as veias pélvicas e sobre a veia cava inferior — o principal vaso que drena o sangue das pernas de volta ao coração. Essa compressão dificulta o retorno venoso e eleva a pressão dentro das veias das pernas, favorecendo o aparecimento ou agravamento das varizes. O ganho de peso progressivo durante a gestação também contribui para sobrecarregar o sistema venoso.
Fatores que aumentam o risco
Embora o surgimento de varizes na gravidez seja comum, algumas circunstâncias aumentam consideravelmente a probabilidade:
- Histórico familiar de varizes — o fator genético é o mais determinante
- Segunda, terceira ou mais gestações — o risco aumenta com o número de gravidezes
- Ganho excessivo de peso durante a gestação
- Gravidez em idade mais avançada
- Sedentarismo antes e durante a gravidez
- Profissões que exigem longos períodos em pé ou sentada
- Gestação de gêmeos ou trigêmeos, que causa maior pressão sobre os vasos pélvicos
As varizes gestacionais não prejudicam a saúde do bebê, mas podem causar desconforto considerável para a mãe e, sem acompanhamento adequado, aumentam o risco de complicações como trombose venosa profunda.
Como prevenir varizes durante a gestação
Embora não seja possível eliminar completamente o risco de varizes na gravidez — especialmente quando há predisposição genética — algumas medidas ajudam a reduzir significativamente a chance de desenvolvê-las:
- Praticar atividade física regular e adequada à gestação, como caminhada, hidroginástica e yoga — o movimento favorece a circulação nas pernas
- Elevar os membros inferiores ao descansar, colocando um travesseiro sob as pernas
- Usar meias de compressão, especialmente a partir do segundo trimestre, com indicação médica
- Evitar ficar em pé ou sentada por longos períodos sem movimentar os pés e tornozelos
- Controlar o ganho de peso dentro das metas recomendadas pelo obstetra
- Evitar banhos quentes prolongados, que aumentam a vasodilatação
- Manter boa hidratação ao longo do dia
Tratamento durante a gravidez
Durante a gestação, a maioria dos procedimentos para tratar varizes e vasinhos não é recomendada. Escleroterapia, laser e cirurgia são geralmente contraindicados durante a gravidez, tanto pela necessidade de anestesia quanto pela possibilidade de afetar a circulação durante um período em que o organismo da mulher está em intensas adaptações. A exceção são casos em que a complicação é tão grave — como uma tromboflebite intensa — que o risco de não tratar supera o risco do procedimento.
O manejo durante a gestação é, portanto, conservador: uso de meias de compressão, elevação das pernas, atividade física adequada e monitoramento regular com cirurgião vascular. O tratamento definitivo deve ser realizado após o puerpério.
O que acontece com as varizes após o parto
A boa notícia é que muitas varizes surgidas durante a gravidez tendem a melhorar significativamente ou até desaparecer nos primeiros meses após o parto, à medida que o organismo retorna às condições pré-gestacionais — o útero regride, o volume sanguíneo normaliza e a pressão sobre as veias pélvicas desaparece.
No entanto, nem todas as varizes regridem espontaneamente. Aquelas que persistem após três a seis meses do parto — especialmente se associadas a sintomas como dor, inchaço e cansaço — devem ser avaliadas por um cirurgião vascular. É importante também não adiar indefinidamente essa avaliação, pois o período pós-parto é ideal para o tratamento, antes de uma eventual próxima gravidez que pode agravar o quadro.
Cuide das suas pernas antes, durante e após a gravidez
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